segunda-feira, 2 de maio de 2011

Eu hoje


Eu poderia calar minha alma
No sono eterno,
ou queimar meus anseios
nas chamas do esquecimento,
Mas persigo o vento,
A incerteza
E cultivo em meu jardim a desilusão.

Eu poderia apagar dos meus sonhos
Qualquer vestígio que acusasse tua presença
Mas prefiro ir ao longe,
O mais próximo das nuvens
E me lançar abaixo
Como um vértice vertiginoso
Colorido e fosforescente,
Para ofuscar dos que me vêem
Esta falsa alegria, esta falsa virtude.

Eu poderia acabar com tudo e
Recomeçar uma vez mais,
Sem culpa.
Mas quantas vezes terei que recomeçar?
Por mais quanto tempo terei que lutar
Com o leão que existe em meu ser?
Tenho vontade de arrancar esta máscara
E despir a verdade a todos os que me cercam...
Mas quantos terei de magoar?
E qual o preço de recomeçar?

Por mais alto que voe minha alma
Por mais encharcadas
que estejam minhas negras asas,
Eu não desistirei de voar...
Por mais que eu tenha um sonho de Icaro.

Eu poderia dizer aos que dizem me amar
Que não quero mais este néctar amargo
De presença não presenciada,
Que não quero mais todos os meus desejos realizados,
Minhas vontades satisfeitas...
Não quero mais viver sufocada, asfixiada de amor exagerado,
Pois não tenho como responder a isto,
Não sou dessas criaturas que vivem a vagar
Cheias de certezas,
Gosto do meu limbo, da minha dimensão,
Onde só eu me acho e me encontro.
Quero a incerteza de não ser eu mesma
A cada amanhecer.
Tatiana Almeida

sábado, 23 de abril de 2011

Os Balões e os Moinhos de Vento

De cima do farol
Solto no vento
Sobe meu balão amarelo
Olho de cima
Minha luneta não enxerga horizontes.
Ou os vê tão de perto
Que se confundem com o nada infinito.
Os moinhos de vento são como os gigantes
Em meu mundo de Dom Quixote,
Peleio dia e noite
E não os venço.
Solto mais um balão
Vermelho como este por do sol sangrento.
Meus balões azuis não sobem mais
Já não os imagino
O farol está escuro
Nada a vista,
Sou o que mereço o que tenho:
As inconstâncias e as inconsistências,
Os ventos, as chuvas e as lágrimas.
Eu já não tenho certeza de que balão voou
das minhas pálidas mãos,
Nem do amor que tive.
Será que ficou que veio que se foi e voou?
Os olhos fecham-se pelo cansaço,
Pela dor, pela fadiga, pelo sono, pela desesperança.
O corpo todo, esquálido, pálido,
como meu balão amarelo.
Ah... Odeio estes seres mortos, apáticos
intolerantes, egoístas...
E sinceramente prefiro
Que a morte silenciosa
Leve algumas almas imperfeitas.
Ventos e seus moinhos
Imaginem o que é lutar pelo que não se acredita?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Mãe Terra 09/09/2010

O ventre de Gaia grita
Choros e lamentos
Os filhos da terra
Em vão correm e escondem-se

Os olhos de Gaia
Hoje são dor e lamento
Queimam suas florestas
Devastam seus rios.

Mananciais e torrentes
Esgotam-se,
Fogo e fumaça
O mundo de Gaia sucumbe.

Egoístas,
Corruptos e gananciosos
Destruidores do meu lar
Vejam e sintam na pele
A fúria de Gaia.

Ela se levantará contra vós
Chamará seus trovões
De suas entranhas os vulcões se agitarão
Seus olhos derramarão tsunamis
Sobre aqueles que a violaram,
Que não respeitaram seus filhos
Suas amadas criaturas.

Sofram o que sofre Gaia
Chorem o que chora Gaia

Transformem-se, evoluam.
Não tinjam seus rios de sangue
Nem rasguem o seio da floresta
Deixem os Filhos de Gaia em paz.


domingo, 12 de dezembro de 2010

E aí?


Olha só! veja bem!
Não me venha dizer
O que falar,
O que sentir,
Como agir,
Não venha me ouvir.

Olha só! Veja bem!
Não mecha no meu sangue latino,
Não interfira,
Não interrompa,
Não me corrompa.

Olha só! Veja bem!
Sou descendente de uma raça guerreira,
Não venha com suas besteiras,
Tentar me domar.
Olhe o fogo nos meus olhos,
A cor do meu rosto.
Sou o que sou

Olha só! Veja bem!
Não me açoite,
Nem me amarre,
Que eu sei gritar.
Não me leve em ondas
Que eu sei nadar.

Olha só! Veja bem!
Minha vontade é de lhe matar.
O vermelho e o azul
Eu não consigo imaginar.
Olha só! Veja bem!
Não me normatize,
Nem me coaja
Nem me oprima
Nem me imprima.

Olha só! Veja bem!
Não me corrija,
Não me defina,
Que eu to com vontade
De lhe mandar para
A casa do c...

Tatiana Almeida
01/09/2010- 19:58

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Orbital

Dois mundos distantes,
Duas vidas opostas.
Mas ao primeiro toque,
Ao abrir de portas
Olhos, abraços,
Sorrisos se enlaçam,
Tua respiração na minha,
Teu calor
Tudo é um turbilhão de amor,
Um dilatar de almas
Um vulcão de felicidades.

Emoções e desejos à flor da pele
E o mundo é só você e eu
O Universo se resume na tua voz e no teu olhar.
E todo o tempo e a distância já não importa.
Uma entrega plena, completa, total,
Nunca sentida, nada igual,
E agora sei que você é meu mundo.

Eu sou tua,
Completamente nua,
Corpo e alma despidos.
Em teus braços encontro abrigo,
Não paro de olhar,
De sentir cada poro do teu corpo,
Cada movimento detalhadamente
Guardando tudo como alimento
Para todo o sempre.

A distância e tempo já não importam,
O amor transcende fronteiras
Eu sou só tua e só,
Simples como a noite,
Derramando orvalho.
Envolvida em teus beijos
E até teu respirar me encanta.
Criei um altar para ti em meu coração
E derramo flores de pensamentos
Todos os dias,
Aguardando o próximo encontro.

 Tatiana Almeida -21/08/2010