sábado, 23 de abril de 2011

Os Balões e os Moinhos de Vento

De cima do farol
Solto no vento
Sobe meu balão amarelo
Olho de cima
Minha luneta não enxerga horizontes.
Ou os vê tão de perto
Que se confundem com o nada infinito.
Os moinhos de vento são como os gigantes
Em meu mundo de Dom Quixote,
Peleio dia e noite
E não os venço.
Solto mais um balão
Vermelho como este por do sol sangrento.
Meus balões azuis não sobem mais
Já não os imagino
O farol está escuro
Nada a vista,
Sou o que mereço o que tenho:
As inconstâncias e as inconsistências,
Os ventos, as chuvas e as lágrimas.
Eu já não tenho certeza de que balão voou
das minhas pálidas mãos,
Nem do amor que tive.
Será que ficou que veio que se foi e voou?
Os olhos fecham-se pelo cansaço,
Pela dor, pela fadiga, pelo sono, pela desesperança.
O corpo todo, esquálido, pálido,
como meu balão amarelo.
Ah... Odeio estes seres mortos, apáticos
intolerantes, egoístas...
E sinceramente prefiro
Que a morte silenciosa
Leve algumas almas imperfeitas.
Ventos e seus moinhos
Imaginem o que é lutar pelo que não se acredita?

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