Solto no vento
Sobe meu balão amarelo
Olho de cima
Minha luneta não enxerga horizontes.
Ou os vê tão de perto
Que se confundem com o nada infinito.
Os moinhos de vento são como os gigantes
Em meu mundo de Dom Quixote,
Peleio dia e noite
E não os venço.
Solto mais um balão
Vermelho como este por do sol sangrento.
Meus balões azuis não sobem mais
Já não os imagino
O farol está escuro
Nada a vista,
Sou o que mereço o que tenho:
As inconstâncias e as inconsistências,
Os ventos, as chuvas e as lágrimas.
Eu já não tenho certeza de que balão voou
das minhas pálidas mãos,
Nem do amor que tive.
Será que ficou que veio que se foi e voou?
Os olhos fecham-se pelo cansaço,
Pela dor, pela fadiga, pelo sono, pela desesperança.
O corpo todo, esquálido, pálido,
como meu balão amarelo.
Ah... Odeio estes seres mortos, apáticos
intolerantes, egoístas...
E sinceramente prefiro
Que a morte silenciosa
Leve algumas almas imperfeitas.
Ventos e seus moinhos
Imaginem o que é lutar pelo que não se acredita?
